Recentemente, foi
publicada na Revista Época uma matéria estapafúrdia sobre a cidade de Porto Velho, Rondônia. Por que isto me afeta? Simples! Sou porto-velhense de coração, apaixonado por aquela cidade! Afinal, foi lá que fui criado, fiz amigos, me eduquei...
Há um ano e meio estou morando em Curitiba, minha cidade natal. Estou aqui devido ao fato de ter maiores facilidades para divulgar meus livros, minhas palestras, workshops e poder participar com mais frequência em eventos voltados para Profissionais de Ensino da Língua Inglesa. Contudo, ainda mantenho fortes vínculos com a capital rondoniense. Sempre que possível dou um pulo lá.
Na referida matéria lê-se depoimentos de recém-moradores da cidade que estão odiando tudo, que tudo é ruim, as pessoas são gananciosas, dinheiristas, etc, etc. Talvez porque sonhavam em ir para Dubai, Nova Iorque, Londres, Sidney, Roma... No entanto, suas empresas as enviaram para lá. Ou seja, estão apenas descontando a raiva na cidade!
Logo no início, a repórter escreve que Porto Velho possui “sistema de saúde precário, rede escolar deficiente, calçadas esburacadas, saneamento básico quase inexistente e lixo para todo o lado”.
Será que a repórter estava falando de Porto Velho ou do Brasil como um todo!? Afinal, sistema de saúde precário é uma rotina no Brasil todo. Como educador, professor e consultor pedagógico sei que a rede escolar no Brasil é muito deficiente. Calçadas esburacadas há aqui em Curitiba e também nas cidades pelas quais passei recentemente: São Paulo, Brasília, Florianópolis, Uberlândia, Porto Alegre, Salvador, Goiânia, Jaraguá do Sul e outras.
Com relação ao lixo, basta ver os programas de TV que abordam temas ambientais. Algumas cidades grandes no Brasil já não sabem mais nem o que fazer com tanto lixo. Outras sofrem com enchentes e problemas de saúde causados pelo lixo a céu aberto em suas ruas.
Fico me questionando se o título da matéria não deveria ser: “
Época: a revista que não esteve lá” ou ainda “
Época mandou a repórter; mas a repórter não foi lá”. Se ela foi, ficou em um local apenas. Pode ter escrito a matéria com raiva do editor-chefe! Talvez ela gostaria de ter feito uma matéria especial sobre Londres, Paris, Bora Bora, Ilhas Gregas, Hollywood, etc. Como não foi possível, descontou a raiva em Porto Velho.
Porto Velho, meus queridos, não é esta terra de ninguém como pintaram. Porto Velho não é este inferno de quente como pensam. Porto Velho não é um fim de mundo como o Brasil imagina.
Lá – Porto Velho – é uma cidade que cresce. Tem um povo brilhante e batalhador. Porto Velho tem belezas naturais que muita gente não conhece [
ou infelizmente não faz questão em conhecer]. Porto Velho tem coisas bonitas e agradáveis para se fazer. Tem uma história linda. Em resumo, Porto Velho tem um passado, presente e futuro cativantes!
Para ver a beleza de Porto Velho é preciso fazer o mesmo que fazemos ao ir ao Rio de Janeiro, a São Paulo, a Porto Alegre, a Belém, a Salvador ou a qualquer outra cidade: deixar de lado o preconceito, deixar de lado a decepção de não encontrarmos aquilo que gostaríamos [
índios andando pelas ruas e se locomovendo através de cipós, no caso da repórter]. É preciso romper paradigmas e procurar coisas maravilhosas. Aproveitar ao máximo o que tem de melhor no local e assim contrabalancear uma coisa com a outra.
Porto Velho cresce e certamente tem muito a oferecer para aqueles que realmente souberem aproveitar e a enxergar o seu grandioso futuro. Descubram Porto Velho e então escrevam a respeito!
===
PS:
A matéria menciona um grupo de senhoras recém-chegadas à cidade que se reúne com frequência para ouvir lamentações umas das outras e fazer reclamações. Minha sugestão a elas: saiam de casa vão às praças tomar açaí, suco de cupuaçu, tacacá. Deliciem-se com a tapioca e frutos da região. Visitem os mirantes para ver o pôr do sol no Rio Madeira. Façam amigos locais e conheçam o verdadeiro calor porto-velhense. Aprendam a ser simpáticas! Deixem de ficar em casa fofocando e falando mal da cidade e das pessoas que as acolheram sem reclamar. Isto pode fazer um grande bem a vocês e às suas famílias!